(...)
Confesso que tive culpa em parte das coisas ruins que aconteceram; entretanto prefiro acreditar que simplesmente não era para formarmos o "nós", o "juntos para sempre", ou mesmo o "final feliz". Para ser sincera, você não combina com os contos de fadas que teimam em iludir as mentes femininas, e tampouco quero o título de "princesinha a espera do príncipe". Os sonhos que eu imaginei eram quase crus, palpáveis, com doses de drama um tanto quanto pequenas; mesmo assim, tenho que me contentar com o "eu" e com o "você" separados (ou juntos a outros nomes).
Pensando bem - com o perdão da porca metáfora - não é que paixão é igualzinho a uma fruta? Antes doce, prazerosa, maravilhosa enquanto dura; com o tempo, perde o sabor, torna-se repugnante e só será útil caso se desfaça. Já te vejo com muito desdém e espero que seja honesto e perceba que você, em questão de qualidades, deixa a desejar. Nessa noite interminável, decreto que os meus sentimentos por você serão enterrados, entregues à podridão, reduzidos a coisa nenhuma.
Além de tudo, não sei o que passa pela sua cabeça, mesmo com tantas oportunidades que tivemos de sermos honestos e colocar em substantivos, adjetivos e verbos o que estava preso na garganta. É possível que, na verdade, eu ainda não encontrei o método certo para lidar com o fato de que eu não significo nada para você, e que a consideração e o afeto todo que sustento não fazem mais do que me caracterizar como idiota. De qualquer modo, nessa confissão em prosa, espero ter imortalizado o que restou do mal-sucedido "nós" a fim de que isso, no mínimo, tenha valor como uma obra literária amadora. Pois, o que deve acontecer na realidade, tomando as palavras da composição de Damien Rice como análogas às minhas,
"Well this has got to die
I said, this has got to stop
This has got to lie down
With someone else on top".
sábado, 16 de maio de 2009
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Entendo muito bem o que vc quis dizer. Só espero que vc não queira dizer isso para alguém.
ResponderExcluir"não é que paixão é igualzinho a uma fruta? Antes doce, prazerosa, maravilhosa enquanto dura; com o tempo, perde o sabor, torna-se repugnante e só será útil caso se desfaça." Será?
ResponderExcluirOuvi dizer que todas as frutas, mesmo quando podres, desfaceladas e inanimadas nunca perdem seu valor.
Se o amor é uma fruta, os restos que sobram transformam-se talvez em adubo que fertilizam a terra e a prepara para novas árvores, novas flores e, claro, novas frutas.
Com o perdão da [porca] metáfora...
Puta merda! Vc é escritora e nem me falou, hein, Ju? aushuahs Mto bom. Bem lírico e incisivo. Parece q tem uma motivação real, se não tiver, mais puta merda ainda! Enfim, isso não vem ao caso. Parabéns, mto bom. Só n entendi o "Elephant".
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