quinta-feira, 30 de abril de 2009

Estréia com um tom metalingüístico

Engraçado como a vida funciona.


Hoje fiquei a admirar minhas produções textuais de quando tinha, mais ou menos, uns doze anos. Não que eu queira me gabar nem nada, mas fiz muita coisa que presta: tirando os erros gramaticais, as frases que não fazem o menor sentido e o enredo absurdo, eu sinceramente achei tudo maravilhoso. Minha brilhante conclusão é que, quando somos ainda novos, ingênuos, espontâneos, menos preocupados com que os outros vão achar, a arte é muito mais bela.


Que seja escrevendo, ou dedilhando um violão despreocupadamente, ou mesmo borrifando tinta em uma tela, devíamos dar mais valor às nossas criações. Podemos achar momentaneamente que o que fazemos não vale nada, que merece ser parte integrante de um amontoado de papéis amassados; mas, na verdade, são preciosidades que podem nunca mais serem concretizadas novamente. E tenho certeza que não sou a única que pensa dessa forma: quando disse que gostava de escrever ao meu pai, ele contou-me que compartilhava desse interesse, só que, num borbulhar de sentimentos, livrou-se de todos os seus textos; disse ainda que se arrepende desse ato, e aconselhou-me a nunca, sob hipótese alguma, jogar fora qualquer criação minha. Hoje vi que essa recomendação foi de uma absurda e pouco estimada sabedoria.


Não digo que tudo o que sai de nossa mente é útil, válido e que merece um Nobel. A verdade é que ainda vai sair muita porcaria no papel, na tela, em instrumentos; porém, essa porcaria faz parte de sua trajetória como artista e, inevitavelmente, ela ajudará a construir sua obra-prima. Ah, e a obra-prima, que ela seja sincera e espontânea, exprimindo o real alter-ego artístico de cada um! Aplausos, obrigada.


Portanto, meus queridos escritores, músicos, poetas: imitem-me em salvar suas produções de serem perdidas. Além disso, lembrem-se que o importante é ser autêntico, igual a uma garota de doze anos, metida a Sir Conan Doyle, desapegada e verdadeira em tudo o que inventa. Até porque, vendo os meus textos antigos, tive a vontade súbita de criar um blog e falar, com um inegável tom metalingüístico, sobre a arte (ha-ha-ha).