segunda-feira, 24 de agosto de 2009

yeah


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Teste teste teste

terça-feira, 9 de junho de 2009

Sofrido, sincero aleluia

Ela chegou a casa, largou a mochila na cama, soltou o cabelo preso, bruscamente sentou-se no chão e recostou-se na parede.
E chorou.
Com as mãos trêmulas, o rosto contorcido, os olhos irrigados, o peito vazio.
Chorou.
Em meio a frias lágrimas e profundos gemidos, só conseguia-se ouvir um rasgado e doído:
"Deus, faça parar...
Faça parar...
Faça parar”.

E foi assim que as batidas do coração da garota suavizaram; sua face, tão úmida e vermelha, secou-se e voltou à cor usual; um longo e aliviado suspiro escapou de sua boca.
E o choro acabou.

Dos lábios dela formou-se o sofrido, mal articulado, mas tão sincero e grato:
"Aleluia...
Aleluia...
Aleluia".

sábado, 16 de maio de 2009

Elephant (parte II)

(...)

Confesso que tive culpa em parte das coisas ruins que aconteceram; entretanto prefiro acreditar que simplesmente não era para formarmos o "nós", o "juntos para sempre", ou mesmo o "final feliz". Para ser sincera, você não combina com os contos de fadas que teimam em iludir as mentes femininas, e tampouco quero o título de "princesinha a espera do príncipe". Os sonhos que eu imaginei eram quase crus, palpáveis, com doses de drama um tanto quanto pequenas; mesmo assim, tenho que me contentar com o "eu" e com o "você" separados (ou juntos a outros nomes).

Pensando bem - com o perdão da porca metáfora - não é que paixão é igualzinho a uma fruta? Antes doce, prazerosa, maravilhosa enquanto dura; com o tempo, perde o sabor, torna-se repugnante e só será útil caso se desfaça. Já te vejo com muito desdém e espero que seja honesto e perceba que você, em questão de qualidades, deixa a desejar. Nessa noite interminável, decreto que os meus sentimentos por você serão enterrados, entregues à podridão, reduzidos a coisa nenhuma.

Além de tudo, não sei o que passa pela sua cabeça, mesmo com tantas oportunidades que tivemos de sermos honestos e colocar em substantivos, adjetivos e verbos o que estava preso na garganta. É possível que, na verdade, eu ainda não encontrei o método certo para lidar com o fato de que eu não significo nada para você, e que a consideração e o afeto todo que sustento não fazem mais do que me caracterizar como idiota. De qualquer modo, nessa confissão em prosa, espero ter imortalizado o que restou do mal-sucedido "nós" a fim de que isso, no mínimo, tenha valor como uma obra literária amadora. Pois, o que deve acontecer na realidade, tomando as palavras da composição de Damien Rice como análogas às minhas,
"Well this has got to die
I said, this has got to stop
This has got to lie down
With someone else on top".

terça-feira, 12 de maio de 2009

Elephant (parte I)

Por que quando você começa a esquecer certas coisas tudo vem à tona de novo?

No momento em que percebi que você estava perto, não sei por que comecei a tremer e meu sangue pulsou loucamente. Fechei meus punhos o mais forte que consegui, tão intensamente que minha palma ganhou pequenas marcas de unha. Um frio percorreu a minha nunca e, inevitavelmente, demonstrei espanto. Disfarcei o máximo que pude, e acho que ninguém notou - inclusive você. Foi só te ver novamente que fraquejei, assim frágil e subitamente. O problema é que doeu; uma dor discreta, porém profunda, já velha, insistente, odiosa. O insuportável pensamento de que ainda me importo com você voltou a me assombrar.

Esforcei-me para concentrar e amenizar as batidas cardíacas, inspirando uma boa quantidade de ar e mantendo o olhar fixo em lugar nenhum. Abri aquele meu clássico sorriso, conversei como se nada estivesse acontecendo, calando a enorme vontade de aproximar-me mais. Estar perto de você... Percebendo o timbre de sua voz com maior perfeição... Sentindo a ponta dos seus dedos suavemente entrando em contato com os meus... Observando as curvas de seus lábios, as linhas do seu pescoço, o reflexo que o Sol deixa em seus olhos (até mesmo as veias salientes do seu antebraço)... E então me rendendo em um longo e delicioso beijo, causando um inocente arrepio e aquele leve frio na barriga. A verdade é que, provavelmente, essa experiência já está distante demais e a história de nós dois não será mais um futuro, e sim uma memória agridoce com grandes chances de ser esquecida.

(...)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

(Nem tão) Inocente Criança

COMENTÁRIOS DA AUTORA: Texto relativamente antigo, que eu fiz baseado em uma história real. Sim, aconteceu algo parecido com alguém, mas a maior parte é ficção. EU SEI que tem construções gramaticais muito simples e quase erradas, mas é de propósito, então sem críticas do tipo. Mas gostaria de um feedback, obrigada! Have fun!



Lá está ela: lendo sua típica Marie Claire, tomando café fraco, despreocupada. Momento perfeito. Hoje eu vou ter a minha vitória. Está na hora; vou chegar perto calmamente, como quem não quer nada, e darei o golpe...

"Mãe, o que é sexo?"

Ela parou por alguns segundos, segurando a xícara na metade do caminho, a revista ainda aberta. Touché, mamãe! Espera, ela nem olhou espantada para mim. Ela voltou à suas ações iniciais, tomando um gole da bebida, respirando fundo, passando a página. O que ela está pensando?! Será que...

"Olha filha, tem o sexo feminino e o masculino"

Hum, esperta você; mas eu sou mais. Isso ainda não acabou: "Mas mamãezinha, eu estava vendo televisão e vi uma mulher aaaalta e tãããão bonita dizendo que queria fazer sexo com um homem! Como que ela consegue fazer o 'feminino' ou o 'masculino’?"

Agora não tem saída. Caramba, ela ainda não demonstrou surpresa! Não é possível que ela tenha tem alguma coisa para falar!

"Ah filha, ela só queria brincar de casinha com ele, sabe? Ela seria o 'feminino' e ele o 'masculino', a mãe e o pai, entendeu?"

Resposta deplorável, minha cara. Que criança ia cair por uma coisa estúpida dessa? Veja como o mestre faz: "Quer dizer então que eu posso chegar para o Gabriel e pedir para ele fazer sexo comigo?"

Eu vi! Os lábios dela encolheram um pouco e sua testa franziu. Eu vi! Com certeza pensou um palavrão. Ohhh, doce é a vingança! Mas ela ainda não se deu por vencida, ela é durona. Olha só para a cara dela fria, sem mostrar qualquer sinal de fraqueza.

"Na verdade não, florzinha. Só gente grande fala assim, e você ainda é muito pequenininha!"

Ela passou a mão na minha cabeça. Mamãe querida, você acaba de entregar a toalha! Esqueceu que criança é pirracenta? Pediu para fazer o óbvio: "Mas eu quero fazer igual gente grande! Eu quero, eu quero, eu quero!"

Oh não. Ela sorriu de lado, e fez aquele olhar sacana. Vai dar uma reviravolta, estou sentindo.

"Vamos fazer um seguinte: você pode virar gente grande. Mas lembre-se que gente grande não ganha doces sempre, toma banho sozinha, não brinca de boneca, lava a louça, limpa a casa, cozinha, trabalha para ganhar o seu dinheirinho..."

Como pude ser tão burra? Ignorei esse poder maquiavélico, terrível que as mães têm de comprar os seus filhos! Isso é crime, mas tão... Tão... Irresistível... Sedutor... Tentador... Será que eu desisto da minha tão esperada vitória para continuar sendo mimada? Se eu fosse um pouco mais velha...

"Mas assim eu não quero...". Droga, droga, DROGA! Sou uma decepção para todos os jovens desse mundo.

"Então está combinado, você continua uma criancinha e não brinca de 'sexo', e eu te levo para tomar um sorvete. Corre para o carro que eu já vou!".

Subestimei suas habilidades, mamãezinha. Quem eu estou querendo enganar? Eu nasci dela. E por um agrado eu posso perder dessa vez. Mas somente dessa vez: "Pode ser de framboesa?”.

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Meu marido chegou à sala, em tempo de ver sua filhinha correndo animada, somente raspando na ponta do blazer aberto do homem e continuando seu caminho. Ele desviou para não chocar com a pequena, e olhou-me confuso.

"O que aconteceu?" perguntou ele.

Soltei uma gargalhada alta, e sem pressa levantai-me da poltrona: "Camila tentou deixar-me sem graça de novo".

Ele sorriu, deslizando os olhos para cima, como se achasse graça da situação: "E como está placar?"

Olhei para ele, não conseguindo disfarçar a maldosa alegria que sentia: "15 a 0"

Você é afiada, filha. De fato tenho orgulho de ser sua mãe; mas não se esqueça de que o fruto não cai muito longe da árvore.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Estréia com um tom metalingüístico

Engraçado como a vida funciona.


Hoje fiquei a admirar minhas produções textuais de quando tinha, mais ou menos, uns doze anos. Não que eu queira me gabar nem nada, mas fiz muita coisa que presta: tirando os erros gramaticais, as frases que não fazem o menor sentido e o enredo absurdo, eu sinceramente achei tudo maravilhoso. Minha brilhante conclusão é que, quando somos ainda novos, ingênuos, espontâneos, menos preocupados com que os outros vão achar, a arte é muito mais bela.


Que seja escrevendo, ou dedilhando um violão despreocupadamente, ou mesmo borrifando tinta em uma tela, devíamos dar mais valor às nossas criações. Podemos achar momentaneamente que o que fazemos não vale nada, que merece ser parte integrante de um amontoado de papéis amassados; mas, na verdade, são preciosidades que podem nunca mais serem concretizadas novamente. E tenho certeza que não sou a única que pensa dessa forma: quando disse que gostava de escrever ao meu pai, ele contou-me que compartilhava desse interesse, só que, num borbulhar de sentimentos, livrou-se de todos os seus textos; disse ainda que se arrepende desse ato, e aconselhou-me a nunca, sob hipótese alguma, jogar fora qualquer criação minha. Hoje vi que essa recomendação foi de uma absurda e pouco estimada sabedoria.


Não digo que tudo o que sai de nossa mente é útil, válido e que merece um Nobel. A verdade é que ainda vai sair muita porcaria no papel, na tela, em instrumentos; porém, essa porcaria faz parte de sua trajetória como artista e, inevitavelmente, ela ajudará a construir sua obra-prima. Ah, e a obra-prima, que ela seja sincera e espontânea, exprimindo o real alter-ego artístico de cada um! Aplausos, obrigada.


Portanto, meus queridos escritores, músicos, poetas: imitem-me em salvar suas produções de serem perdidas. Além disso, lembrem-se que o importante é ser autêntico, igual a uma garota de doze anos, metida a Sir Conan Doyle, desapegada e verdadeira em tudo o que inventa. Até porque, vendo os meus textos antigos, tive a vontade súbita de criar um blog e falar, com um inegável tom metalingüístico, sobre a arte (ha-ha-ha).