terça-feira, 12 de maio de 2009

Elephant (parte I)

Por que quando você começa a esquecer certas coisas tudo vem à tona de novo?

No momento em que percebi que você estava perto, não sei por que comecei a tremer e meu sangue pulsou loucamente. Fechei meus punhos o mais forte que consegui, tão intensamente que minha palma ganhou pequenas marcas de unha. Um frio percorreu a minha nunca e, inevitavelmente, demonstrei espanto. Disfarcei o máximo que pude, e acho que ninguém notou - inclusive você. Foi só te ver novamente que fraquejei, assim frágil e subitamente. O problema é que doeu; uma dor discreta, porém profunda, já velha, insistente, odiosa. O insuportável pensamento de que ainda me importo com você voltou a me assombrar.

Esforcei-me para concentrar e amenizar as batidas cardíacas, inspirando uma boa quantidade de ar e mantendo o olhar fixo em lugar nenhum. Abri aquele meu clássico sorriso, conversei como se nada estivesse acontecendo, calando a enorme vontade de aproximar-me mais. Estar perto de você... Percebendo o timbre de sua voz com maior perfeição... Sentindo a ponta dos seus dedos suavemente entrando em contato com os meus... Observando as curvas de seus lábios, as linhas do seu pescoço, o reflexo que o Sol deixa em seus olhos (até mesmo as veias salientes do seu antebraço)... E então me rendendo em um longo e delicioso beijo, causando um inocente arrepio e aquele leve frio na barriga. A verdade é que, provavelmente, essa experiência já está distante demais e a história de nós dois não será mais um futuro, e sim uma memória agridoce com grandes chances de ser esquecida.

(...)

Um comentário: